segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Sapatos velhos










Ao voltar caminhando para casa num dia chuvoso, senti meus pés molhados.
Quando olhei a sola, estava toda dissolvida em minúsculos rolinhos, deixando meus pés totalmente no chão.
Não disse nada para os amigos de tão envergonhada.
Tinha num dia anterior, escolhido comprar dois pares de sapato pelo preço de um. 
Feliz com a aquisição, não imaginava que a sola era de papelão...
Muitos anos depois da lição, tive a mesma sensação.
Calcei um par de sapatos de 10 anos (adoro bolsas e sapatos antigos)e fui faceira dançar forró.
Olhando para o chão, observei pedaços de sola se espalhando pelo piso azul.
E o pior... Eles me seguiam.
Comecei a sentir um dos pés gelados...
Saí de mansinho e fui ao banheiro ver o estrago.
Tinha perdido totalmente a base dele. 
Por coincidência, era meia noite.
Assim como a Cinderela, tive que deixar o baile as pressas. 
Olhei para trás para ver se algum príncipe estava correndo atrás de mim, como não estava, peguei minha abobora e voltei para casa.


Alforriar







Hoje não procurei por suas inverdades
Não escutei suas músicas, não chorei,
Não olhei o telefone, não me preocupei.

Deixei o sol  chamejar no meu abismo,
O vento  entrar e soprar pra  longe,
A saudade que eu queria prisioneira.

Alforriei-me da tristeza,
Desafoguei das incertezas,
Libertei minha alegria,
"SAREI".




sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Pensamento











Quando suas boas atitudes não te fazem ser diferenciada numa multidão ,certamente está inserida num ambiente impróprio....mude de lugar porque será entendida como parte do todo.


quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

A noticia...







Aquele sopro foi como uma ventania no meu ouvido.
Ele dizia que era para me acalmar, que tudo ficaria bem.
Me  permitiu escolhas, mas teria que arcar com cada uma delas.
Não tive muito tempo, mas determinei que ser forte seria a decisão apropriada.
Meus passos trêmulos persistiam andando, mesmo  meu corpo querendo voltar.
Entrei me sentindo descalça e nem parei para pensar.
Foi um turbilhão que avassalou meu coração, mudou tudo, contrafez a razão.
Catei meus cacos, levantei dos joelhos que sangravam e como já havia decidido... Segui.


terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Languidez







Hoje eu vestiria aquele roupa escondida no armário.
Totalmente sem graça. Sem frescor, sem brilho sem matiz.
Sairia de cabelos lavados e despenteados.
Usaria nos pés apenas um barbante preso nos dedos.
Deixaria as mãos livres pousadas no balanço do meu corpo.
Não olharia para cima, nem para os lados.
Meus passos seriam lentos e pequenos.
Não falaria nem sorriria.
Ficaria apenas num canto...descrendo totalmente..
Que se pode manter na vida, uma estação inteira feliz.


                                       

sábado, 6 de janeiro de 2018

O Baile





As músicas embalam os passos no salão, acompanhando aquelas luzes que brilham do globo no alto e refletem pontinhos  coloridos no chão azul.
É uma forma harmoniosa de juntar um homem e uma mulher, onde a música dita as regras a serem abraçadas.
Dois pra lá, dois pra cá e num vai e vem de braços e abraços, os rodopios surgem para embelezar ainda mais a suavidade do bailado.
O salão se enche de energia, os sorrisos começam a despontar nos rostos cansados, as falas terminam e o poder da dança se faz presente em todo pedacinho de chão.
Não se percebe sofrimento nem magoa. Tudo ficou preso lá fora...
Momentos do renascimento das boas emoções.
Conversas começam a fluir, copos a tinir, gente que não para de chegar e o baile vai continuar.
Os vestidos e adereços escolhidos a dedo, não fazem mais diferença no salão, todos querem dançar e sentir o som vibrar em cada parte do seu corpo.
E assim eletrizante, o tempo vai passando, os corpos cansando, a falas cessando...
Ao terminar, os sons distantes das bandas, ainda inundam os últimos vestígios da felicidade e acompanham cada um de volta a sua carruagem que já novamente transformada em abóbora, leva cada um de volta a sua lida...


sábado, 2 de dezembro de 2017

Viajando de navio









Depois de ter degustado um delicioso café da manhã no gold lobst o restaurante classe A do navio, pensei em passar na parte externa, onde também servem café, almoço, jantar o dia todo para quem quiser e levar um suvenir de lembrança do navio "a caneca da Preziosa".Bastaria tomar o café e descuidadamente levar a canequinha para o quarto e guardar na mala...Visto que tantos o fazem, pensei que não seria um desvio de bens e sim uma atitude normal de turista.
Vou eu lá encher minha bandejinha com quitutes matinais não esquecendo a famosa caneca. Até tirei uma foto antes do sumiço dela para guardar de recordação, afinal a primeira mão leve ninguém esquece...
Mal sentei à mesa,  do nada, apareceu a gentil garçonete, que nos serve no restaurante e jamais no vulgarmente chamado bandejão onde eu me encontrava com a caneca. Quando olhou a canequinha com café e leite, não pensou duas vezes, sem expressar qualquer dúvida, segurou-a pela alça e já andando disse: "Você não precisa tomar essa porcaria,seu bilhete lhe dá o direito de Cappuccino com chantili"...E sem que eu pudesse pensar em algo,vi minha canequinha indo para o balcão e sendo trocada por uma super comum branca cheia de cappuccino que eu desgosto muito.
O pior é que ela voltou toda realizada com o pequeno trote na mão e disse:"Desculpe, seu cartão não te dá direito ao cappuccino, mas cliente especial merece um agrado"e  me entregou tudo aquilo como um presente.
Fiquei olhando para aquela cena e pensando onde foi que eu errei...Ainda para não desagradar a princesa, engoli tudo aquilo que parecia não ter fim, sorri e agradeci a gentileza.
No dia seguinte não tinha nenhuma caneca da Preziosa, somente brancas.....Saí como entrei.Lembrança mesmo, só essa da foto.



sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Pausa para um café








Já vai?
Ainda é cedo. Fica mais um pouco.
Vou passar um café e poderemos prosear mais um tantinho.
Conta das suas histórias, suas alegrias suas dores.
Pode também falar dos seus amores...
Mas fica vai? Só mais uns minutinhos.
Fica pra eu matar a saudade, abafar essa expiação, enganar esse estupor que afoga em mim a vontade de seguir.
Não precisa permanecer, só até o café acabar...
E esse cheiro de saudade se esvair no ar.
Fica para  eu degustar esse sabor amargo mesmo adoçado,de não ter mais você perto de mim.